Xadrez: aprenda a fazer xeque-mate!

Tabuleiro de xadrez

Jogo de paciência celebrizado por nomes como Garry Kasparov, Vladimir Kramnik ou Bobby Fischer e praticado por mais de 605 milhões de pessoas em todo o mundo, o xadrez é, de facto, um jogo estratégico e táctico muito complexo, mas não impossível de aprender. Conhecidas as regras básicas e jogadas algumas partidas, não vai querer outra coisa!

O xadrez ontem

Envolta em algumas controvérsias quanto à sua origem, a maioria dos historiadores concorda que o xadrez tem as suas raízes na Índia, mais precisamente no “Chaturanga”, que era jogado nesse país já no século VI. Embora com regras diferentes das actuais, essa versão primitiva do xadrez já incluía as peças que hoje sabemos – o cavalo, o bispo e a torre. No século VII, o “Chaturanga” chegou à Pérsia, que lhe conferiu regulamentos próprios e, trezentos anos depois, já era conhecido em toda a Europa. Por volta do ano de 1200, as regras do xadrez começaram a sofrer modificações e, em 1475, provavelmente em Itália ou na Espanha, surgem as características do jogo como o conhecemos hoje. Na Idade Média e durante a Renascença, o xadrez era presença constante nas cortes reais, ora como forma de entretenimento, ora como maneira de ensinar estratégias militares. Foi uma questão de muito pouco tempo até o jogo entrar no mundo do clérigo, dos comerciantes, estudantes e, por fim, da população em geral. Durante o século XVIII, a França era a capital do xadrez, numa altura em que se disputavam partidas em todos os cafés das grandes cidades europeias. A partir do século XIX nasceram centenas de associações de xadrez, publicaram-se inúmeros livros sobre o assunto e jogaram-se as primeiras grandes competições oficiais.

O xadrez hoje

Fundado em Paris, em 1924, a Federação Internacional de Xadrez (FIDE) é a entidade responsável pela organização dos maiores eventos mundiais – caso da Olimpíada de Xadrez, realizada de dois em dois anos. A FIDE é ainda membro do Comité Olímpico Internacional. Wilhelm Steinitz é apontado como o primeiro campeão do mundo de xadrez e Vera Menchik a primeira campeã do mundo, título que conquistou em Londres em 1927.

Considerado um dos maiores génios do xadrez de todos os tempos, Garry Kasparov conquistou títulos mundiais consecutivos entre 1985 e 2000, ano em que foi derrotado por

Vladimir Kramnik. O actual campeão mundial é o indiano Vishy Anand, sendo a chinesa Xu Yuhua, a actual campeã feminina.

Títulos e ranking

Existem competições individuais (Olimpíada de Xadrez, Campeonato Mundial de Xadrez Juvenil, Campeonato Europeu de Xadrez, os diferentes campeonatos nacionais…), competições para equipas (Olimpíada de Xadrez, Campeonato Europeu…) e competições por convite apenas (Torneio de Linhares em Espanha, Melody Amber, Dortmund Sparkassen, M-tel Masters e o Wijk aan Zee). A FIDE atribui os seguintes títulos vitalícios:

  • Grande Mestre (GM) – conferido aos xadrezistas de nível internacional. Com excepção do título de Campeão Mundial, o GM é o mais alto título que um xadrezista pode alcançar na vida. Para obter este título, o candidato necessita de um rating FIDE de pelo menos 2500 pontos e 3 resultados favoráveis em torneios envolvendo outros Grandes Mestres. Existem, no entanto, outras formas de obter o GM, como vencer o Campeonato Mundial de Xadrez Juvenil, por exemplo.
  • Mestre Internacional (MI) – as condições são semelhantes ao de GM, com a diferença de um rating menor (2400 pontos).
  • Mestre FIDE (MF) – necessita de um rating FIDE mínimo de 2300 pontos.
  • Candidato a Mestre (CM) – necessita de um rating FIDE mínimo de 2200 pontos.
  • Mestre Nacional (MN) é conferido por algumas federações nacionais a xadrezistas com o rating FIDE mínimo de 2200 pontos.

Em Portugal

Nascido em Odemira durante o século XV, o teórico Pedro Damiano escreveu um dos primeiros tratados sobre o xadrez – “Questo Libro e da Imparare Giocare a Scachi”. Publicado em Roma (onde se refugiou depois da expulsão dos judeus de Portugal no reinado de D. Manuel I) foi originalmente escrito em italiano e espanhol. Os portugueses homenageiam-no todos os anos com a realização do Open Internacional Damiano de Odemira. A Federação Portuguesa de Xadrez, com mais de 3500 atletas inscritos, é quem regula a modalidade em Portugal e de onde já saíram inúmeros campeões.

Objectivo do jogo

O objectivo do xadrez é “cercar” ou “atacar” o rei do adversário de tal forma que esse não tenha jogada possível. Não se pretende a “captura efectiva” do rei, contando antes a “eminência da captura”. O jogador que conseguir fazer isso dá “xeque-mate” ao adversário e vence a partida. Isto significa que, durante o desenrolar do jogo, os xadrezistas não podem colocar o seu próprio rei sob ataque. No entanto, se um jogador estiver em desvantagem ou muito próximo de ser derrotado, pode desistir da partida. Por outro lado, declara-se um empate quando nenhum dos xadrezistas está em posição de dar “xeque-mate”. O xadrezista que vence a partida recebe um ponto; quem perde não recebe qualquer ponto e quem empatar recebe meio ponto.

As regras do jogo

  • Disputado entre dois jogadores, denominados xadrezistas, o xadrez é jogado sobre um tabuleiro quadrado que, composto por 8 linhas e 8 colunas, está dividido em 64 quadrados ou casas, alternadamente claras e escuras.
  • O tabuleiro deve estar posicionado para que cada xadrezista tenha, à sua direita, um quadrado claro. O uso de um relógio de xadrez é opcional, apesar de ser obrigatório nas disputas oficiais e serve para controlar o tempo que cada xadrezista tem para efectuar os seus lances. Se o jogador não “gastar” o seu tempo todo quando for a sua vez de jogar, esse é adicionado ao tempo do próximo período.
  • Cada jogador começa a partida com 16 peças, claras ou escuras, com diferentes formatos e características: 8 peões, 2 cavalos, 2 bispos, 2 torres, 1 rei e 1 dama. A primeira fila é ocupada, da esquerda para a direita, com torre, cavalo, bispo, rei, dama, bispo, cavalo e torre. Na segunda fila colocam-se os 8 peões. As peças claras são colocadas nas casas claras e as escuras nas casas escuras.
  • Quem tiver as peças brancas é o primeiro a jogar. Os jogadores fazem os seus lances um de cada vez, movendo uma peça de cada vez.
  • A captura das peças do seu adversário é conseguida ao mover uma das suas peças para uma casa já ocupada por uma peça adversária.
  • O bispo pode mover-se para qualquer casa ao longo da diagonal que ocupa; a torre pode mover-se para qualquer casa ao longo da sua coluna ou linha; a dama pode mover-se para qualquer casa ao longo da coluna, linha ou diagonal que ocupa. No entanto, nenhum dos três pode “saltar” sobre qualquer peça que encontre no seu caminho.
  • Por sua vez, o cavalo pode mover-se para uma das casas mais próximas daquela que ocupa, mesmo que não esteja na mesma coluna, linha ou diagonal. Esta é a única peça que pode “saltar” sobre as restantes.
  • Relativamente ao peão, este pode ser movimentado para a casa não ocupada imediatamente à sua frente e ao longo da coluna que lhe diz respeito. No entanto, durante o primeiro lance, o peão pode ser movimentado tal como se acabou de referir, mas pode ainda avançar duas casas nessa mesma coluna, desde que ambas estejam desocupadas. O peão também pode mover-se para uma casa ocupada por uma peça adversária e capturá-la, desde que esteja diagonalmente à sua frente, na coluna adjacente.
  • Um peão que ataca uma casa atravessada pelo peão do adversário que tenha acabado de avançar duas casas no seu primeiro lance, pode capturar esse peão como se este tivesse avançado apenas uma casa. Esta captura é conhecida como “en passant”.
  • Quando o peão alcançar a última casa da sua coluna terá de ser trocado por uma dama, torre, bispo ou cavalo da mesma cor, que podem ou não ser peças já capturadas. A escolha normalmente recai sobre a dama, que é a peça mais versátil. A esta troca chama-se “promoção” e o efeito é imediato.
  • Se uma peça for movida para uma casa ocupada por uma peça adversária, esta é capturada e retirada do tabuleiro. No entanto, não é permitido movimentar uma peça para uma casa já ocupada por outra peça da mesma cor.
  • O rei é a única peça que não pode ser capturada e terá de ser sempre protegido. Pode fazê-lo ao movê-lo para fora de zonas de perigo, ao bloqueá-lo com outras peças ou capturando as peças do seu adversário que possam colocar o seu rei em perigo. Por outro lado, para ganhar a partida terá de fazer obrigatoriamente “xeque-mate” ao rei do seu adversário e pode consegui-lo, posicionado as suas peças de forma a criar situações de perigo e das quais esse não consegue sair, sendo que aqui terá de dizer “xeque”. Se o seu adversário não tiver um lance de fuga possível, você diz “xeque-mate” e ganha a partida. No entanto, o adversário tem a opção de tombar o rei, em sinal de desistência.

Fases da partida

Uma partida de xadrez está dividida em 3 fases distintas:

  • Abertura – é constituída pelos primeiros 25 lances, sendo definida como a fase em que os xadrezistas desenvolvem os seus ataques e defesas;
  • Meio-jogo – esta constitui a fase mais movimentada do jogo;
  • Final – trata-se da fase onde a maioria das peças, de ambos os lados, já foram capturadas e os reis são já os protagonistas do jogo.

“O xadrez não é uma fútil distracção; permite desenvolver em nós as qualidades do espírito, mais necessárias à vida.” – Benjamin Franklin, in The Morals of Chess (1779)

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