Damas, um jogo para todos

Jogo de damas

Reúna dois jogadores, prepare o tabuleiro e as 24 peças em pouco mais de um minuto e dê início a um jogo que pode demorar poucos minutos ou até meia hora. Com uma complexidade média, este jogo nada tem a ver com a sorte, mas antes com uma boa estratégia e gestão de recursos. Vai uma partida de damas?

História

  • Por incrível que possa parecer, as damas têm sido o passatempo preferido de muitas civilizações ao longo da história. Inicialmente conhecida como “Alquerque” e com características muito semelhantes às actuais, terá passado pelas mãos dos antigos egípcios, teve uma menção honrosa nos escritos de Plutão e Homero, chegando ainda à Índia. No entanto, o jogo de damas como o conhecemos hoje deve-se muito provavelmente aos franceses, que terão juntado as regras e as peças do “Alquerque” ao tabuleiro que é actualmente utilizado. Para além disso, alteraram o nome para “Freses”, uma denominação que foi substituída por “Jeu de Dames” no século XV. Desde então, gozou de uma popularidade crescente, que levou o jogo aos quatro cantos do mundo, onde os diferentes povos foram baptizando-lhe com nomes distintos e criando pequenas variantes do jogo, atribuindo às damas regras e regulamentos muito próprios. O primeiro campeonato mundial de damas ocorreu em Inglaterra, no ano 1847, onde o jogo foi conhecido como “Draughts”. Quando chegou ao continente americano recebe o nome de “Checkers”, que se mantém ainda hoje. Em 1978 nasceu, em Portugal, a Federação Portuguesa de Damas, órgão que, movimentando cerca de 450 atletas, promove diversos campeonatos, incluindo a Taça de Portugal.

O que precisa

  • O jogo de damas é limitado a dois jogadores e praticado com recurso a um tabuleiro quadrado, dividido em 64 pequenos quadrados (cerca de 4-5 cm), alternadamente claros (branco ou creme) e escuros (preto ou castanho). São dispostas sobre o tabuleiro, 24 peças redondas (com um diâmetro de 3-4 cm e uma espessura de 0.6-0.8 cm), divididas em 12 pedras brancas e 12 pretas.

Objectivo do jogo

  • O objectivo do jogo de damas é capturar ou imobilizar a totalidade das peças do adversário, sendo declarado vencedor aquele que conseguir isso.

Como jogar

  • Para começar, as peças são colocadas sobre os primeiros 12 quadrados ou casas de cada lado do tabuleiro. Cada jogador movimenta, alternadamente, as suas peças – sempre para a frente e na diagonal – pisando apenas as casas escuras e uma de cada vez, desde que estas não estejam obstruídas por uma ou mais peças da mesma cor ou adversárias.
  • Quando na casa seguinte estiver posicionada uma peça adversária, seguida de uma casa vaga, a pedra em jogo “salta” e “toma”, ou seja, fica com a peça adversária e passa a ocupar essa casa, agora vaga. Se a mesma situação se verificar nas casas seguintes, o jogador pode e deve continuar a “tomar” as peças do seu adversário até não haver mais nenhuma peça ou casa vaga. A esta jogada chama-se “toma em cadeia”.
  • “Partida” é o nome dado a um conjunto de jogos de damas, que deverão decorrer sempre em número par. “Abertura” refere-se aos lances iniciais de cada jogo. O primeiro lance de cada jogo chama-se “saída” e é o jogador com as peças brancas que sai sempre. Nos jogos seguintes, as brancas alternam entre os dois jogadores.
  • O lance só está completo quando a mão do jogador larga a peça, depois de a mover de uma casa para outra. As peças capturadas só devem ser retiradas do tabuleiro no final de cada lance.
  • Os jogadores têm direito a dois tipos de peças – iniciam o jogo com “peões”, as peças com que jogam e que se transformam em “damas” quando conseguirem chegar a qualquer uma das quatro casas que compõem o extremo oposto do tabuleiro. Conseguido isso, o adversário terá de “coroar” o peão como dama, ao sobrepor a essa peça, uma das peças já capturadas. Se o adversário não tiver uma peça para coroar o peão, este valerá na mesma como dama, até à coroação. Uma vez coroado (fisicamente ou não), a jogada seguinte pertence ao adversário.
  • Tanto os peões como as damas têm dois movimentos possíveis – sem captura e com captura. A captura ou toma é obrigatória e, se houver várias possibilidades de toma, o jogador terá de capturar o maior número de peças disponíveis para tal. Seguindo a mesma lógica, o jogador terá de capturar sempre as peças de maior valor, sendo que uma dama vale, naturalmente, mais do que um peão.
  • Uma vez coroada, a dama terá de continuar a mover-se na diagonal, percorrendo as casas vagas para a frente, mas agora também se pode movimentar para trás. Se a dama encontrar, numa das suas diagonais, uma peça adversária, mesmo em casa não contígua e seguida de uma ou mais casas vagas, pode saltar por cima da peça e ocupar qualquer uma dessas casas. Se continuar a encontrar peças nessas condições, é obrigatório capturar todas as peças adversárias. No entanto, a dama não pode saltar por cima de peças da sua cor ou de peças de cor contrária colocadas em casas contíguas, nem passar duas vezes sobre a mesma peça. Por outro lado, tem a liberdade de passar mais do que uma vez por cima de uma casa livre.

O resultado

  • Será declarado vencedor aquele que conseguir capturar todas as peças do seu adversário ou se um dos jogadores já não tiver margem de manobra para movimentar as suas peças (a estas chamam-se “prisioneiras”) quando for a sua vez de jogar.
  • Será declarado um empate quando: a partir de qualquer ponto da partida, decorrerem 20 lances sucessivos sem qualquer captura ou movimento de peão ou dama; ou quando a mesma posição de jogo é atingida, seguida ou alternadamente, pelo menos três vezes e o adversário conteste.

Diz-se que para aprender a jogar damas são necessárias apenas alguns minutos, mas que demora uma vida inteira a aperfeiçoar o jogo… por isso, enquanto aprende, divirta-se!

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